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Quis a história que, desde há séculos, se tivessem estabelecido relações muito estreitas entre os povos da atual Guiné-Bissau e Cabo Verde. Com efeito, as ilhas de Cabo verde foram povoadas essencialmente com escravos negros oriundos da costa ocidental africana, então chamada Rios da Guiné do Cabo verde, e em especial dos territórios da atual Guiné Bissau. No âmbito da dominação colonial portuguesa, as ilhas de Cabo verde e a faixa costeira africana vizinha constituíram uma única Entidade administrativa governada a partir da ilha de Santiago de Cabo verde até 1879, data em que o território guineense foi desanexado de Cabo verde e transformado numa província ultramarina portuguesa administrada por um governador-geral nomeado diretamente pelo governo português. Ainda assim, a Guiné dita portuguesa continuou a ser um destino privilegiado de emigração cabo-verdiano em especial de quadros administrativos e de homens de negócios. Neste contexto, estabeleceram-se intensos laços históricos, de sangue e da cultura entre os dois povos e o seu comum interesse na libertação da dominação colonial que Amílcar Cabral, o mais ilustre filho dos povos da Guiné e de Cabo verde, conduz os dois povos à independência política. Não obstante o colapso pós-colonial do projeto de união orgânica entre os dois países africanos sonhado por Amílcar Cabral, os respetivos povos continuaram a manter intensas relações de intercâmbio quer através das respetivas comunidades emigrantes residentes tanto na Guiné e Cabo verde como também em Portugal quer no quadro das organizações intergovernamentais regionais como OUA e CEDEAO quer ainda no âmbito da CPLP. Deste modo, são Cabo verde e a Guiné-Bissau os únicos países lusófonos da África Ocidental ao mesmo tempo que são os únicos de oeste-africanos que da CPLP, comungando ademais de uma segunda língua comum, o crioulo, para além do português. Lisboa tem-se demostrado, desde os seus tempos de capital do império colonial português, como um lugar privilegiado de intercâmbio e de troca de experiências entre os africanos que nela procuram acolhimento para os estudos, trabalho ou mesmo o lazer. Em Lisboa, fundaram-se inúmeros jornais e associações de defesa dos interesses dos africanos. Em Lisboa, lançaram-se as sementes para emancipação política dos povos africanos das colónias portuguesas e estreitamentos das suas futuras relações de Amizade e cooperação com o povo português. Em Lisboa continuam a cimentar-se e a fortalecer-se os laços de convivência entre os povos guineense e cabo-verdiano através tanto das suas comunidades imigrantes como das segundas gerações dos seus filhos já nascidas e crescidas em Portugal, muitas delas na grande Lisboa. É tendo em conta as circunstâncias acima referidas que um grupo de guineenses e cabo-verdianos decidiram fazer mais para o estreitamento dos laços de fraternidade entre as suas comunidades instituindo em Portugal o dia 12 de Setembro, dia do nascimento de Amílcar Cabral, como o dia da Amizade entre os povos da GB & CV, deste modo julgando contribuir para a superação de eventuais ressentimentos e incompreensões passados e para a exploração e a otimização de todas as potencialidades de solidariedade existentes entre as duas comunidades celebrando Cabral, o seu maior filho comum, demiurgo das independências dos países doravante patrono do Dia da Amizade ora em pauta com marcas de criatividade, de alegria e de festa. Ideia Este ano, como sempre, vamos juntar-nos para celebrar o melhor dos nossos países na apresentação da diversidade e riqueza cultural, artística dos dois países irmãos. Para nós é fundamental que a essência de tudo nesta fase da vida dos nossos países seja este elemento essencial para a vida humana. Na prática, é tudo isso que queremos materializar neste evento, juntando duas artistas de excelência, dois grandes nomes da música da Guiné-Bissau e Cabo Verde, num momento único: Karyna Gomes e Sara Alhinho. Pretende-se, através da musica contribuir para um maior conhecimento do pensamento e ideias humanistas de Amilcar Cabral. O concerto é totalmente dedicado à memória de Amilcar Cabral, para o efeito, juntamos artistas cabo-verdianos e guineenses, para um sentido tributo ao Pai das duas nacionalidades. O encontro está marcado para um imperdível momento de celebração de Cabralismo na extensão de solidariedade e união no dia 14 de Setembro, sexta-feira, no Espaço B.leza. Abertura de porta 22h30 Início do concerto pelas 00h00

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Friday, 14/09, 2018 23:30 - 02:00

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